Podia ser dama, xadrez ou gamão. Mas é Academia.
O tabuleiro se abre. Cinco peças se ajeitam na casa "saída".
Uma peça órfã deita-se branca sobre a negra caixa do jogo.
Só há dois casais e eu.
Aqui jaz um casal.
Acho que precisava de um jazz, mas tenho em mim o silêncio e a minha frente um tabuleiro.
Primeira palavra: "Açamoucado".
A multidão de olhos se prendem ao pedaço de papel, a imaginação sobrevoa.
Não é preciso inventar, tenho certeza da resposta: "Diz-se daquele com problema de surdez", defino:
- Ela me ensinou .. mouco é surdo, penso.
Resposta : "Construído sem arte, mal construído".
As peças andam, avançam, riem, mas a peça órfã permanece melancolicamente estática, como se esperasse vida.
Não se enganem, era uma peça vencedora, estava acostumada a pisar na casa "chegada" antes de todas.
Nunca pensei que esta trajetória do tabuleiro fosse tão curta, um jogo de quatro anos.
Neste tempo caminharam, quase que lado a lado, mas há alguns dias alguma coisa desandou ... me perdi no labirinto do tabuleiro.
Ainda tentei gritar, mas tu estavas mouca.
Seguistes em frente sozinha, sem os cuidados devidos.
Agora as peças estão órfãs.
Separados, os nossos caminhos ficarão açamoucados.
Sou o primeiro a pisar na "chegada", mas incrivelmente não chego a lugar algum.
Percebo que dei voltas e basta um passo pra dar a saída novamente.
Aguardo a sua rodada.
Amilton B.B.
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