É insuportável saber, é insuportável temer este teto sobre a minha cabeça.
O teto é furado e com goteira.
Não há segurança, não há estrutura que sustente.
Sento, acendo um cigarro, tomo uma cerveja com um desconhecido.
Quero me confessar com alguém.
Não conheço padres, amigos, parentes, palhaços ou intelectuais com quem eu possa me confessar.
Quero tomar mais uma cerveja...
Me embriagar pra não chorar ... ou talvez me embriagar pra poder chorar.
Quero a tristeza pra aprender. Mas não quero mais sofrer.
Não quero voltar pra casa e temer o teto, temer o chão.
A próxima tempestade vai derrubar tudo.
Nada vai ficar.
Temo a tempestade, temo o nada.
Vou ficar aqui e me embriagar.
Isto não é a solução, eu sei, mas é um acalanto, é um canto.
Nunca pensei em reformar a casa, nunca pensei que as rachaduras fossem tão profundas.
Até temia a tempestade, mas hoje acordei com medo do sereno.
E se cair tudo?
Amilton B.B.
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