sexta-feira, 29 de julho de 2011

O tempo de um abraço

Levanto-me, ando de uma quina a outra, não encontro os cigarros. Esse dia havia de chegar, faz quase um ano, ou uma semana? ... o tempo me confunde, não consigo encaixar os segundos nos minutos.
A campainha já tocou, não a vejo, sei que é ela ...
Apresso-me a procurar as chaves, mas elas são mais rápidas e se escondem. Confundo os botões, ela demora, a campainha toca novamente, devo estar trocando os botões!
Ela aparece, mais linda do que nunca, quero prometer-lhe o mundo, quero dizer-lhe todos os poemas, mas não consigo. Pego-lhe a nuca e envolvo seu pescoço em meus braços. Caio em pranto, mas estou desesperadamente calmo. Agora sinto a quentura que os vãos cigarros não me trouxeram. Ela também arde e chora.
Já não como e já não durmo bem há mais ou menos um ano, ou uma semana. Poderia me alimentar desse cheiro, poderia descansar nesses ombros. Meus sentidos aos poucos retornam. Sinto o perfume do seu desespero, enxergo a personificação do amor, sinto o salgar do seu rosto, ouço os lamentos de suas memórias e tateio o arrepio de sua alma.
Tomara que nunca termine ...
esse abraço ...
abraço também meu passado, presente e futuro ...
 "Não se abraça uma semana, que dirá um ano", penso
... breve
 ... em breve vai terminar.
Abraço a amiga que não vejo há meses, abraço a amante que não vejo a semanas, abraço o amor que não vejo a dias.
Abraço a esperança de um amor tranquilo, um amor que eu achava que tinha, um amor que eu tive. Abraço mais forte para ouvir algum coração.
Ele bate, não o vejo, mas sei que é ele ...

Amilton B.B.

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