domingo, 25 de dezembro de 2011

O caderno

O caderno da vida praticamente preenchido, só lhes restam algumas páginas. A sensação que fica é a de trajetórias desperdiçadas, amores vazios, emprego bem-remunerado para comprar o pão do dia seguinte. 
Na casa nada falta, apenas um ao outro.
O reencontro com o passado faz com que eles vivam o "se...", mas quem vive o "se..." é nostálgico do nada.
Veste outras máscaras, calça pés que não são seus e tropeçam nas nuvens por voar alto demais. 
Um sonho acordado que desperta os mais céticos para o desperdício que é a vida para quem não se arrisca cegamente no amor.
Já de pés no chão, antes de partir, antes do pôr-do-sol, fazem um novo pacto, bem mais morno. Já não há mais tempo, ou amor verdadeiro, apenas um misto de arrependimento e saudade. 
Fecham os olhos bem forte para que tudo seja apenas um sonho. Deu certo, que alívio, ainda somos jovens!
O nosso caderno ainda está sendo grafado, todo o "se..." ainda está por vir. O amor existe e está presente, é só caprichar no embrulho.

Amilton B.B.(2009)

Nenhum comentário:

Postar um comentário